25 de jun de 2013

O tradicional banho-de-cheiro

Post publicado em 25 de junho de 2008.
Como é que eu esqueci de mencionar isso?
Foi até matéria de uma emissora de televisão. Quem quiser assistir a reportagem, entra nesse link aqui.

O "banho-de-cheiro" não pode faltar durante as comemorações de São João. Isso é tradição popular em Belém.
O banho tem poderes "milagrosos", garantem as vendedoras de ervas do Ver-o-peso.
Atrair um novo amor, reatar namoro, manter casamentos e/ou trazer prosperidade.
Tudo é possível com o poder das ervas.

RECEITA PARA UMA BANHO CHEIROSO

Ervas necessárias: Pripioca, Pataqueira, Manjericão, Esturaque, Chama, Catinga de Mulata, Vindicá Pajé, Trevo do Mar, Trevo São João, Trevo Cumaru, Patchouli, Cipó Uíra, Cipó Catinga, Cipo Curimbó, Alecrin D’angola. Abre Caminho, Oriza e Casca de Cedro.

Modo de preparo: Em uma bacia com água coloque todas as ervas, depois de esfregá-las bem, como se fosse triturá-las. Deixe de molho na água por alguns minutos para que as essências das ervas se misturem e formem o aroma característico do banho. O banho deve ser tomado às 18 horas do dia 23. Durante o banho a pessoa deve fazer o pedido para São João e torcer para que dê certo.

24 de jun de 2013

Hoje tem Arraial

Post publicado em 24 de junho de 2008.

Hoje é dia de São João.
E eu estou te esperando para o meu arraiá.
Aqui tem as brincadeiras.
Fiquei sem pombo-correio :(, mas se quiser escrever um recado para o amor da tua vida, deixa aqui e depois eu publico.
Se sentir fome, aqui tem bolos diversos, mingaus, maniçoba, pastel e outras delícias.
No meu arraiá toca Pinduca, Fruta Quente, Arraial do Pavulagem, Dominguinhos, Sinvuca, Osvaldinho, Luis Gonzaga e muito mais.
Mais o safoneiro que vai animar a quadrilha é o meu amor Flavio.

Façam os pares... Preparem a saia rodada e o chapéu de palha...
A fogueira está acesa...
O céu está estrelado...
E a dança vai começar!
- Cumpadi, veio gente de tudo quanto é lugar pro arraiá.
- É mermo cumadi?
- E num é, sô?!
- Arriégua, e de onde vem todo esse povo cumadi?
- Ora homi, dos Steites, das Óropas, de Brasilis...mas deixa de lari-lari e toca essa safona que a quadrilha quer entrar...
Anavantur!!!
Anarriê....

E agora vamos apresentar as Misses... Me segura, minha gente!!!
Uma salva de palmas...
E elas vêm dançando ao som do Mestre Pinduca
"Oh mexe, mexe menina
vamos mexer sem parar

Você é agora é a minha

Garota do tacacá"


A Miss Infantil é a Rosivone, minha irmã lá de Belém...









E agora a Miss Ericórdia, a poderosa Cissinha




Participaram da quadrilha
Minha irmã e primas lá de Belém, Pará.
Jaqueline, de Itaperuna, Rio de Janeiro.
Marlene mandou o filho e os Netos, de São Paulo, SP.
Sandra mandou os filhos e a filha, moram aqui pertinho, Alemanha.
E a quadrilha teve duas noivas:
Nora, uma pernambucana que mora na EspanhaCélia, uma cearense que mora Suécia.

Obrigada a tod@s que entraram na brincadeira, enviando fotos, receitas, brincadeiras e comentários.

23 de jun de 2013

Sabe onde fica este convento?


Vou ficar uns dias neste convento, você sabe onde fica?
Quando eu voltar, prometo contar o que fiz por lá.

22 de jun de 2013

O estado da arte do meu tratamento

Para quem me visita a 1ª vez, saiba que estou em tratamento contra o câncer de ovário.
Descobri o câncer de ovário por meio de uma cirurgia em fevereiro do ano passado. Antes da cirurgia fui a médica para uma consulta de rotina, e daí começou tudo. Já escrevi isto aqui.

Depois da 1ª cirurgia fiz três sessões de quimioterapia. Aí fiz uma 2ª cirurgia, e mais 3 sessões de quimo.
Eu pensei que tinha acabado, mas a equipe médica me prescreveu um tratamento a base de anticorpos chamado avastin (escrevi sobre isso aqui).

O avastin, assim como a quimo, é uma infusão na veia. O tratamento é longo, são 15 meses, que somando dá umas 21 ou 22 sessões, pois eu recebo o avastin a cada três semanas.
A vantagem do avastin é que ele não tem os efeitos ruins da quimo, e a infusão dura 30 minutos, no caso da quimo durava 4-5 horas.

Em abril, nós, eu, o marido, a família e amig@s, tomamos um susto (falei disso aqui). Apareceu um cisto na região pélvica, e e a equipe médica teve que suspender o avastin prevendo uma cirurgia. Depois de vários exames, o resultado foi que o cisto não precisa ser retirado agora e não é maligno, ufa!

Na minha 1ª sessão de avastin, após este susto, eu sofri muito. Minhas veias já não suportavam mais a infusão e coleta de sangue para exames. Fui furada oito vezes, 5 no antebraço, 1 no pulso e 2 nas mãos.
Foi horrível.
Após esse tormento todo, decidi colocar o um catéter.

Fiz uma pequena cirurgia para a inserção do catéter no lado esquerdo, próximo ao ombro. 
Fiquei 3 dias sem usar o computador, e depois de 10 dias já estava tudo normal e agora quase1 mês depois, está praticamente cicatrizado.

Já tive minha sessão de avastin e coleta de sangue pelo catéter, e foi tudo bem.
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
 E assim eu vou.

Brincadeiras juninas

Post publicado no dia 22 de junho de 2008. Vale à pena ler de novo!

Como eu já falei, adoro essa época de festa junina.
Além das festas, comidas e danças, ainda tem as brincadeiras.
Algumas são muito divertidas.
Tem a brincadeira do Pombo-Correio ou Carteir@ Elegante. Eu já fui carteira elegante em festa junina. Ganhei até uns trocadinho, além de me divertir muito levando bilhetinhos.
Tem a pescaria.
A dança da quadrilha.
A corrida do saco.
O desfile das misses.
Entre outras.

Eu encontrei dois sites com brincadeiras bem legais.
http://www.lendorelendogabi.com/datas/datas_brincadeiras_juninas2.htm
http://www.rosanevolpatto.trd.br/festajunina.htm

Tem uma brincadeira que é divertida, mas depende como a pessoa encara. É a brincadeira da CADEIA.
Uma vez, em uma festa, havia essa brincadeira. E um amigo, anonimamente pagou para me prenderem. Eu fiquei 10 minutos presa. Se quisesse ser solta antes, tinha que pagar fiança.
Eu estava bem humorada e preferi ficar presa. Não paguei fiança. E nem subornei o carcereiro.
Aqui o registro dos minutos em que fiquei aprisionada.

E a quadrilha tá ensaiando ao som de Dominguinhos e Luis Gonzaga.
A música é 7 meninas.

Eitha que o forró bodó tá bam demais sô!
Quem chegou para o arraiá agora e num tá entendendo nadica de nada é só clicar na figura lá em cima. Tem tudo sobre o Arraiá da Ro.
Tem fotos, brincadeiras, comidinhas...Vum bora cumade, cumpade!

13 de jun de 2013

Festa Junina, adoro!

É tempo de festa junina no Brasil, eu adoro esse período e sinto muita falta disso.
É tempo de dançar quadrilha, pular fogueira, brincar, comer muitas delícias, entre outras coisas.
Pena que estou super ocupada e não posso escrever sobre isso agora.

Há 5 anos, no dia 13 de junho de 2008, eu organizei um Arraial Virtual, foi uma coisa que me tomou tempo, mas eu até tinha bastante, e foi muito divertida. Acho que foi uma das coisas mais divertidas que fiz no blog.

Aqui vai o link do dia 13 de junho de 2008, onde eu convidava minhas leitoras e leitores para fazer um arraial virtual:
http://nutriane.blogspot.de/2008/06/vamos-fazer-um-arraial.html


Alguém que acompanha minhas pavulagens lembra disso?

8 de jun de 2013

A grave situação dos nossos parentes indígenas

A situação dos povos indígenas no Brasil é grave. O conflito de terra, homicídios, desnutrição, violência, falta de acesso aos serviços básicos, são violações de direitos humanos que indígenas vem sofrendo a séculos.

Eu fiz um resumo do  último relatório do Conselho Indígena Missionário -CIMI, de 2011, em que fala sobre algumas dessas violações só para divulgar aqui alguns desses resultados:
A desassistência na área da saúde atinge mais de 35.000 pessoas, distribuídas por 15 Estados Brasileiros, sendo os casos mais graves localizados no Amazonas, particularmente no Vale do Javari.

A taxa de homicídios de 100 por 100 mil pessoas, maior que a do Iraque, e quatro vezes maior do que a taxa nacional, o povo Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, enfrenta uma verdadeira guerra contra o agronegócio.

O registro de 51 assassinatos de indígenas em 2011, mais uma vez, mostra que 62,7%, ou seja, 32 vítimas pertencem aos povos que habitam o Mato Grosso do Sul. Se somarmos os 32 assassinatos com 27 tentativas de assassinatos são 59 casos de morte e quase morte que atingiram indivíduos, de acordo com os registros deste relatório.

Em 2011, aumentou o número de casos e de vítimas envolvendo violência sexual. Foram registrados 17 casos de violência sexual, com 39 vítimas, todas do sexo feminino. 12 casos envolveram menores de idade.

Em 2011, subiu o número de crianças menores de 5 anos, mortas por causas facilmente tratáveis. Tivemos 126 vítimas.

Fonte: Relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil - Dados de 2011. 

Outro relatório, desta vez governamental, pois é da Fundação Osvaldo Cruz, FIOCRUZ, 2009, mostra resultados de saúde e nutrição que me deixam com o estômago embrulhado. Vejam alguns desses resultados:

As mulheres indígenas que vivem na Região Norte são as que tem menos nível de escolaridade e maior quantidade de filhos.

Na Região Centro-Oeste e Sul/Sudeste, a hipertensão arterial já atinge 15% das indígenas, e o sobrepeso e obesidade chegam a mais de 50%.

E pasme, 1 em cada 4 crianças indígenas, tem déficit de altura, ou seja, desnutrição crônica.
A Região Norte é a que tem mais crianças com desnutrição crônica.

Para saber mais detalhes é só ler o ¨Inquérito de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, da FIOCRUZ, 2009.

Eu acho isso revoltante, e você?

2 de jun de 2013

Parem de matar nossos parentes!

A Carta de Pero Vaz de Caminha à Manoel I, Rei de Portugal em 1500, narra bem como foi a invasão das terras indígenas, a conquista da confiança, a introdução de novos hábitos alimentares, bebidas alcoólicas, e a imposição da religião dos invasores.
Aí começou a história da violação de direitos humanos que indígenas, verdadeiros nativos verdadeiros brasileiros, sofrem até hoje, a peso de muita violência, sanguinolência e mortes.

Trechos da carta de Pero Vaz de Caminha quando chegou no Brasil:
... ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Era, pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.
Foi assim em 1500.
A terra sempre sendo invadida. Os indígenas, mesmo armados, como quem está pronto para a guerra não partem para a violência, a tirania não pertence a eles.
Nós, brasileiros e brasileiras, somos todos parentes de um povo que só quer paz e seus direitos à terra, à alimentação, à uma vida digna.

Ainda na carta de Caminha:
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimaram de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros...
Aproveitando da sua ingenuidade, sua maneira de viver, a sua beleza, a sua riqueza foi desrespeitada. Uma religião foi imposta, porque para o invasor, a sua religião deveria ser imposta, custe o que custar.
... parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós seriam logos cristãos, porque eles, segundo parece não têm, nem entendem em nenhuma crença.
A respeito de novos hábitos alimentares e do álcool, estes foram introduzidos no processo da conquista e dominação, para depois afanarem suas terras, introduzir doenças decorrentes de maus hábitos alimentares, como obesidade, diabetes e hipertensão, e os tornarem alcoólatras.
Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo: e, se alguma coisa provaram, logo lançaram fora. Trouxeram-lhes vinho numa taça: mal lhe puseram a boca; não gostaram nada; nem quiseram mais...
... e alguns deles bebiam vinho, ao passo que outros o não podiam beber. Mas quer-me parecer que, se os acostumarem, o hão de beber de boa vontade!
A violência contra as indígenas que hoje é alta, também foi revelada na falta de respeito as indígenas, com a sutileza da carta:
E uma daquelas moças era tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. Nenhum deles era fanado, mas, todos somos assim como nós... 
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito olharmos, e não se envergonhavam...
.... e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência descobertas, que nisso não havia nenhuma vergonha... Também andava aí outra mulher moça com um menino ou menina ao colo, atado com uma pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe pareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum
Eu não queria me alongar muito neste post, eu queria escrever sobre a violência sofrida pelos Terenas de em Sidrolândia, que resultou em morte. Um homem foi assassinado com uma bala no estômago, 28 indígenas ficaram feridos. O feriado de Corpus Cristis, ficou marcado como Corpus Indius.

Eu só queria deixar meu apelo, aqui registrado:
Parem de violar os direitos humanos de nosso parentes!
Parem de violentar as parentas indígenas!
Parem de matar nossos parentes indígenas!
Hoje eu sou Paru, Guarani Kaiowá, Terena, Macuxi, Mundukuru, Galibi, Kaingang, entre tantas etnias, e mais brasileira do que nunca!

Se quiser entender a questão, clique com o mouse em cima da frase, pois isto levará você para outro link:
A outra face da história: Indígenas relatam o terrorismo
Dilma deveria enviar ingressos da Copa a filhos de indígena assassinado no MS