2 de jun de 2013

Parem de matar nossos parentes!

A Carta de Pero Vaz de Caminha à Manoel I, Rei de Portugal em 1500, narra bem como foi a invasão das terras indígenas, a conquista da confiança, a introdução de novos hábitos alimentares, bebidas alcoólicas, e a imposição da religião dos invasores.
Aí começou a história da violação de direitos humanos que indígenas, verdadeiros nativos verdadeiros brasileiros, sofrem até hoje, a peso de muita violência, sanguinolência e mortes.

Trechos da carta de Pero Vaz de Caminha quando chegou no Brasil:
... ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Era, pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.
Foi assim em 1500.
A terra sempre sendo invadida. Os indígenas, mesmo armados, como quem está pronto para a guerra não partem para a violência, a tirania não pertence a eles.
Nós, brasileiros e brasileiras, somos todos parentes de um povo que só quer paz e seus direitos à terra, à alimentação, à uma vida digna.

Ainda na carta de Caminha:
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimaram de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros...
Aproveitando da sua ingenuidade, sua maneira de viver, a sua beleza, a sua riqueza foi desrespeitada. Uma religião foi imposta, porque para o invasor, a sua religião deveria ser imposta, custe o que custar.
... parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós seriam logos cristãos, porque eles, segundo parece não têm, nem entendem em nenhuma crença.
A respeito de novos hábitos alimentares e do álcool, estes foram introduzidos no processo da conquista e dominação, para depois afanarem suas terras, introduzir doenças decorrentes de maus hábitos alimentares, como obesidade, diabetes e hipertensão, e os tornarem alcoólatras.
Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo: e, se alguma coisa provaram, logo lançaram fora. Trouxeram-lhes vinho numa taça: mal lhe puseram a boca; não gostaram nada; nem quiseram mais...
... e alguns deles bebiam vinho, ao passo que outros o não podiam beber. Mas quer-me parecer que, se os acostumarem, o hão de beber de boa vontade!
A violência contra as indígenas que hoje é alta, também foi revelada na falta de respeito as indígenas, com a sutileza da carta:
E uma daquelas moças era tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. Nenhum deles era fanado, mas, todos somos assim como nós... 
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito olharmos, e não se envergonhavam...
.... e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência descobertas, que nisso não havia nenhuma vergonha... Também andava aí outra mulher moça com um menino ou menina ao colo, atado com uma pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe pareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum
Eu não queria me alongar muito neste post, eu queria escrever sobre a violência sofrida pelos Terenas de em Sidrolândia, que resultou em morte. Um homem foi assassinado com uma bala no estômago, 28 indígenas ficaram feridos. O feriado de Corpus Cristis, ficou marcado como Corpus Indius.

Eu só queria deixar meu apelo, aqui registrado:
Parem de violar os direitos humanos de nosso parentes!
Parem de violentar as parentas indígenas!
Parem de matar nossos parentes indígenas!
Hoje eu sou Paru, Guarani Kaiowá, Terena, Macuxi, Mundukuru, Galibi, Kaingang, entre tantas etnias, e mais brasileira do que nunca!

Se quiser entender a questão, clique com o mouse em cima da frase, pois isto levará você para outro link:
A outra face da história: Indígenas relatam o terrorismo
Dilma deveria enviar ingressos da Copa a filhos de indígena assassinado no MS

4 Comente aqui:

Anônimo disse...


Ro,
Teu post emociona, revolta, entritesce...

"Hoje eu sou Paru, Guarani Kaiowá, Terena, Macuxi, Mundukuru, Galibi, Kaingang, entre tantas etnias, e mais brasileira do que nunca!"

Eu também!

Beijos, Claudia Paru, Guarani Kaiowá, Terena, Macuxi, Mundukuru, Galibi, Kaingang.

Camille disse...

Ainda nao tinham a noção de etnocentrismo e nem de olhar cientifico, que embora não seja neutro, tem um limite para a barabaridade....

Camille disse...

Pois é , agora temos essa noção. Pelo menos aprendemos na escola. E de que vale nao é? Bjos querida.

Allan Robert P. J. disse...

Mudam os tempos, não os hábitos.
Estou cada vez mais decepcionado com o governo, qualquer que seja ele.

:(