17 de nov de 2012

Eu tenho uma colostomia

Quando fiz a 1ª cirurgia, na qual descobri que tinha câncer de ovário, os médicos retiraram os ovários, o útero e um pedaço do intestino. O negócio tava feio e eu não tinha noção.
Por conta da retirada do pedaço do intestino, os médicos fizeram uma colostomia.

O que é uma colostomia?
Simplificando: Colostomia é um novo caminho para a saída das fezes por meio de um estoma localizado no abdómen.
Quem tem uma colostomia não controla a saída das fezes, como acontece com pessoas que usam o tradicional caminho de saída.
Como nós não temos controle, nós usamos uma bolsinha  especial que gruda no abdómen. Nela as fezes ficam armazenadas até serem manualmente eliminadas.

No meu caso, a recomendação é trocar a bolsa 1x/dia, logo após o banho. Para aderência da bolsa, é necessário uma placa, esta eu troco a cada 3 dias

A colostomia pode ser temporária ou permanente.
Segundo os médicos, a minha é temporária, mas eu não sei quando farei a cirurgia de religação do intestino e colocação do estoma para dentro.

O novo caminho...
Sabe aquela expressão: ¨Tô de saco cheio¨? Pois é...nunca foi tão real pra mim como agora.
Devo confessar que foi muito difícil...

No inicio, eu só absorvi o diagnóstico do câncer, passado uns dias depois, eu já conseguia entender meu corpo, os eletrodos e as bolsinhas.

Bem, eu estava em um enfermaria semi-intensiva, com cuidados redobrados 24hs.
Então os eletrodos eu sabia que eram importante, as bolsinhas, eu fui entendendo aos poucos. Uma para urina, uma para o dreno e outra para as fezes. Passado alguns dias, retiraram o cateter da urina e a bolsa foi junto. O dreno demorou mais uns dias, mas depois retiraram.
A bolsa das fezes, o médico tinha falado que talvez retirasse quando fizesse a segunda cirurgia.

Na véspera da 2ª cirurgia, 4 meses depois da 1ª, uma das médicas me falou que achava muito difícil fazer a recolocação do estoma, pois eu ainda iria fazer mais 3 quimioterapias, e a equipe médica achava prudente não fazer o procedimento. Mas, poderia ser feito 2 meses após a última quimioterapia, possivelmente em novembro.
Quando eu acabei o tratamento com a quimioterapia, a médica me explicou que eu iria começar um novo tratamento bem mais suave que a quimoterapia, mas que seria longo, 15 meses e que durante esse período eu não deveria fazer nenhuma cirurgia abdominal. Ou seja, eu continuaria com a colostomia.
Quando escutei isso, desandei a chorar ali mesmo.

A cada dia que passa, eu me acostumo mais com a idéia da bolsinha pendurada na minha barriga, e vou tocando minha vida.
No próximo post vou escrever como eu lidei e ainda lido com isso.

12 Comente aqui:

Anônimo disse...

Ro,
Eu me emocionei muito com este post!
Quero mesmo dizer que gosto muito, muito... muitao de ti. <3
Beijos,
Claudia

nora borges disse...

Minha linda, eu também me emocionei. É cada susto que vc me dá! Mas vamos pensar positivo... que bom que existe um procedimento médico que preserva seu corpo e te ajuda a superar o câncer. Eu confio tanto em você e em sua mente clara, sua energia colorida... eu sei que vc vai vencer essa guerra. Use todas as armas. A colostomia é uma delas? Pois aprenda a vê-la como sua aliada. Eu te quero um bem! conte comigo, sempre. beijo

Ivana disse...

Rô, te admiro cada vez mais...
Beijos.
Ivana

Celia disse...

Rozinha querida, vc é demais amiga. Assim como as demais, eu tambem fiquei emocionada com o que vc relatou. Que bom que existem recursos pra substituir as coisas que deveriam seguir normais na nossa vida. Eu acredito mesmo que foi dificil pra vc se acostumar com essa situacao mas...vc deve pensar que é uma coisa que está lhe ajudando nesse periodo de combate ao cancer. Já imaginou se essa possibilidade nao existisse??? Tudo é válido nesse momento. Um dia vc vai ficar livre disso. Vamos em frente. Estou com vc e sei que vc vai vencer essa luta. Bj

Fernanda disse...

Sei como é, Rô, tenho um caso na família.
É duro, ninguém imagina, mas esta sua visão é tão sincera e pessoal que vai ser bom para muita gente tomar noção de quão é difícil passar por todo este processo. E dar mais apoio.

A guerra ganha-se com batalhas, uma de cada vez, e a Rô é tão forte, que para mim já é uma vencedora.

Beijinhos e muita força!

cleo disse...

Obrigada por compartilhar.... Força, fé e um grande beijo.

ANA VITÓRIA disse...

Sei exatamente o que vc sentiu, passo pelo mesmo problema, minha colostomia tem 2 meses e estou na minha segunda sessão de quimio, é mto difícil a adaptação e só poderei reverte-la depois do tratamento. Reúno forças inspirada na minha família e amigos que não se cansam de levantar meu astral. NÓS VAMOS SAIR DESSA, TENHO MTA FÉ ! Parabéns pelo post e pela coragem de se expor.

Artionka disse...

Querida Rô,

Você é muito valente e admiro muito sua generosidade em compartilhar com todos os percalços que está vivendo. Ler o que você nos relata ajuda a entender que a vida vale a pena.
Desejo-lhe todo a força do mundo e muita paciência para enfrentar esse período duro, pois dias melhores virão.
Um beijo carinhoso, de sua amiga de adolescência, Artionka.

Alcilene Cavalcante disse...

Querida Anne. Só pessoas abençoadas como você pra assimilar e escrever com tanta leveza sobre isso. Daí vem a certeza da breve e pela cura..Beijos sempre

Camille disse...

Tambem me emocionei, com a sua capacidade de expressar a dor, e a vida tb. Tudo isso e´a vida. A gente é que de vez em quando topa com uma pedreira e aprende a desviar dela e continuar vivendo e bem.
Beijos querida, obrigada por compartilhar e ser essa alegria de pessoa que voce é.
Cam

ronaldo junior disse...

nao te conheço mas ja te admiro!Deus te abençoe, te zele e guarde!sou ronaldo macapaense e morador de castanhal no pará no caminho das praias!bom dia!

ronaldo junior disse...

drescobrir que você é irmã do messias da casa roseli!que bom ja te coneço!muitas alegrias em tua vida!