20 de nov de 2012

Colostomia, um novo caminho

Como eu falei no post anterior, no início, foi uma barra pesada lidar com o diagnóstico de câncer e ainda, ter que lidar com a colostomia.
Eu sempre falava: ¨mas logo eu que nunca nem limpei bunda de bebê¨

No inicio, eu não queria fazer a minha própria higiene, lembro que tentei subornar as enfermeiras oferecendo dinheiro a elas, como vi que não dava certo, apelei para estagiárias,  que também não deu certo.

O pessoal da enfermagem do hospital foi super legal e paciente comigo. Para chegar onde cheguei hoje, tive ajuda da psicóloga (foram várias sessões dos mais diversos assuntos), e a presença do maridón, sempre do meu lado me apoiando. Isso tudo me ajudou muito.

A primeira vez que esvaziei a bolsinha, eu usei máscara e luva, e foi assim por semanas.
Um dia, na pressa, esqueci de colocar a máscara e só percebi depois. Passado um ou dois dias eu abandonei o uso da máscara, mas usei luvas por 2 meses. Até que um dia eu parei de usá-las.

Se pra muita gente, especialmente para quem cuida de bebês, isso não é um bicho de 7 cabeças, pra mim, isso foi um monstro de 1000 cabeças.

Tive que ir fazendo muitas adaptações, vencendo meus medos e preconceitos. Como já falei, o apoio da psicóloga, amig@s, família e do marido me ajudaram muito.
Sobre as adaptações de roupas, ainda quero falar sobre isso.

Há apenas 2 1/2 meses que comecei a procurar na internet pessoas e grupos em situação semelhante a minha. Isso tem me ajudado muito no convívio com minha colostomia.

Não posso dizer que estou 100% forte, mas pelo menos hoje estou aqui falando desse assunto, e ainda quero falar mais vezes porque isso me ajuda a ir eliminando as cabeças do meu monstro imaginário.

4 Comente aqui:

Unknown disse...

Roseane Viana

Cada dia te conheço melhor.
Realmente nos primeiros dias eu também nem olhava para baixo.
Mas estou adorando ler teus depoimentos pois assim você coloca para fora e eu vou aprendendo e compartilhando ( eu e outros).
Bem sou Mãe, avó então já troquei muita fralda, mas tudo é diferente.
<3 <3 <3 <3 <3 <3 <3

Paula Maíra Cruz da Silva disse...

Oi Roseane..
Você poderia me dizer que grupos você encontrou na internet?
Vou fazer 26 anos em abril e já faz mais de um ano que estou tratando de uma fístula perianal complexa, para o próximo procedimento minha médica me disse que terei que fazer a colostomia e estou meio "sem chão" sobre isso. Agradeceria se você pudesse me ajudar com isso. Bj

Rosângela da Luz Matos disse...

Ró querida,
Reli seu post ou li seu novo post sobre a colostomia?
Há um intelectual português chamado José Gil. Gosto muito das reflexões que ele faz, especialmente aquelas na fronteira da filosofia.
Há uma publicação dele traduzida no brasil como Pedagogia dos Monstros na qual faz reflexões dessa disposição do homem contemporâneo de dialogar com outramentos do humano.
Seria preciso bem mais que isto, bem mais...
Ter espaço e lugar na cultura para outramentos do corpo que não sejam apenas no estilo Robocop.
Mas temos a generosidade de Frida Kalo para iluminar este percurso.
Bjs
Rô do Chuí

Anônimo disse...

Ane, realmente não deve ter sido nada fácil, nem consigo me imaginar nessa situação... Nunca estamos preparados para isso!!! Q força a sua!!! Continue assim, mulher Admirável pelo trabalho q fazes, pela mulher q és, e agora por tudo q enfrentas contigo mesma!!! BjUssss. Marcelia