2 de ago de 2012

Tristeza, raiva e revolta - eu também tenho


Como eu falei no outro post, eu sou humana e nãoestou feliz todos os dias porque tenho câncer.
Tem dias que eu choro, tenho raiva e sinto uma revolta contra não sei nem o quê. Mas isso não é sempre.
Lembro que 8 dias após a descoberta do câncer de ovário, eu ainda estava no hospital e tinha acordado muito mal nesse dia. A médica do dia entrou na enfermaria para visitar as pacientes, eu estava sentada na cama, começando o meu desjejum, que era uma tigela de mingau.

A médica chegou e me perguntou se estava tudo bem, eu disse que queria perguntar uma coisa, ela disse vá em frente. Daí eu perguntei:
- Eu vou ficar curada?
- Como, não entendi. Repete, por favor.
Isso já começou a me irritar.
- Eu vou ficar saudável, sadia, curada do câncer. Eu quero saber!
- Sra Viana, ainda é muito cedo para lhe dizer.
- Então me diga qual é a chance de viver.
- Como assim?
- Me diga um percentual, 100%, 70%.... ( os olhos estavam cheios de lágriamas)
- A senhora tem 50% de chance.

Isso foi um baque, uma punhalada no meu coração. Eu virei a cara para o outro lado e comecei a olhar para a tigela, as lágrimas começaram a descer, e a vontade que eu tinha era de jogar a tigela na cara daquela médica.
- Mas senhora Viana, a senhora é muito jovem, é forte e vai conseguir.
Nesse dia eu chorei muito. Tive muita raiva da médica por ter me falado o que eu não queria escutar.
Depois do choro, a tristeza foi indo embora eu disse para eu mesma: todo mundo tem 50% de chance de morrer. Tem gente que morre atravessando a rua, dentro de casa...então eu vou pegar essa chance e vou viver, vou lutar contra essa doença, vou usar todas as armas que existem na medicina, eu quero viver esses 50% como todo mundo, com câncer ou sem câncer.

Em casa, nas primeiras semanas após o choque, quando o meu coração começava a ficar apertado, ou os pensamentos maléficos tentavam invadir minha cabeça, eu colocava um cd de zumba que eu tinha ganhado. Meu astral mudava em questão de minutos.

Essa segunda cirurgia que fiz em junho foi horrível. A recuperação foi demorada e muitas vezes eu chorei sozinha e na companhia do Flavio. Aos poucos o físico e o emocional foram melhorando.
Não gosto de ficar me lamentando, principalmente aqui no blog, mas a vida da gente é assim cheia de altos e baixos, embora eu goste de mostrar mais os altos. Quando a temporada tá baixa, eu tento fazer alguma coisa pra melhorar e levantar de novo.

4 Comente aqui:

Marcia H disse...

Rô,
todos nós podemos morrer a qualquer hora. O diagnóstico de câncer é estigmatizado, e é como a médica disse: você vai viver. Claro que a luta é dura, quem foi que disse que viver é fácil? Então vamos dançar, cantar (quem canta seus males espanta) e fazer o pensamento positivo: meu corpo está destruindo essas células más e construindo células novas, coloridas, como raios de sol.
Desenhe, visualize, mentalize e lute muito.
Um beijo

promissaoIDE disse...

Olá!
Todos temos dias bons e maus, felizes e tristes e assim por diante. Importante é descobrir como romper quando estamos nos dias ou momentos de " deserto ", a minha experiência ( pouca ) e que fez a diferença foi de CONFIAR EM JESUS, FÉ, NÃO É FÁCIL ROMPER, MAS DEVE-SE TENTAR.
Estamos juntos dentro dos possiveis, T AMO!

Flavio Valente disse...

Meu amor, vamos juntar os teus 50% com os meus 50%, e temos 100% de chance de viver felizes cada dia desta vida, enquanto durar, e que seja eterno enquanto dure. Sempre contigo. Te amo. Flavio

Bete disse...

ola querida
Vim saber noticias.
Penso que apesar dos dias cinzas, voce reage muito bem, a fé é a chave primeira.
A depressao baixa ainda mais a imunidade.
Que Deus te ilumine e que essa força seja constante.
Bjs