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16 de ago. de 2015

Paz depois da tormenta - 4 meses...

Amanheci ao som de linda melodia indiana,
entremeada com trovões guturais
das profundezas do Vesúvio oriundos
contra o fundo musical de rajadas
estacatos e baldadas de torrenciais aguas
que dos céus despencavam,







A tempestade escorre em meu rosto
alaga alfombras e cisternas
penetra o recôndito do meu ser
transborda rios e lagos e
brota dos olhos qual suave catarata.





,
Viro pelo avesso
te busco em todas as partes
em nenhuma delas te vejo,
mas em todas te vislumbro em mim
        em meus sonhos e memorias,
             impregnada em meus sentidos
                  grávido de teu sorriso
                       cativo de tua esperanca
                            viva no meu amor
                                impulsionando-me ao futuro





Os pássaros gorjeiam o fim da tormenta
     tu pintas o céu com tuas cores em arco
           Estamos em paz





Flavio, Nápoles, 16 de agosto de 2015

"Ela está em mim, em cada célula, sua paz impregnada em cada fibra do meu coração, 
a imagem dos seus olhos sorridentes indelevelmente gravada na minha retina e
memória, e ouço-os sussurrar:  te amo, seja feliz.  Sinto-me pleno, engolfado por uma
morna energia de Anes, Ros e Rosas, gentilmente empurrado para o futuro" Flavio
Flávio

17 de jun. de 2015

Por este mundão de deus!!!!

Obrigada  a todos e todas por terem aceito meu pedido e feito minha vontade. Estou em paz. Sinto-me bem. Muito feliz mesmo. Como se estivesse flutuando em um mar de nuvens de pavulagem. Tantas homenagens, tantas lembranças, a música de hoje é explode coração ... rsrs... 

Hoje se completam dois meses que parti como queria, e um mês que me reencontrei com as grandes aguas de nossa terra, com direito a um cortejo digno de uma rainha, com música, poemas e arco-íris, na medida certa.

Obrigada mãe e pai por terem estado comigo até o fim, amo vocês. Sei como foi e está sendo difícil para vocês. Adoro as rosas, mãe.  Obrigada  pelo amor: manas e manos, sobrinhas e sobrinhos, afilhadas e afilhados, comadres e compadres, primas e primos, toda a grande família. Sigo encarafunchada e tatuada no coração de vocês.

Para as fieis súditas, Divinas Divas e Alice um chamamento a que continuem com a pavulagem e a celebração da vida, e de cada dia que vocês possam usufruir com os seus e suas familiares. A vida é bela e deve ser vivida intensamente. Agradeço a vocês por terem me acompanhado em minhas loucuras  e, especialmente por terem organizado o Trapichaço:  I NES QUE CI VEL!!!


Estou me achando neste mundão de deus, espalhada por todas as partes, mas unificada na lembrança de vocês. Se eu ficar quietinha no meu cantinho, ou cantinhos, não se preocupem, é o meu jeito de cabocla. Mas certamente continuarei a dar meus pitacos, discretamente. Vocês não se livraram de mim não, viu manas e manos??? Estou em vocês para sempre.

Agradeço finalmente a meu fiel escudeiro, meu rei que me acompanhou todo este tempo e continua se esforçando para psicografar meus desejos. Perdoem seus exageros, ele é assim mesmo, as vezes se acha os fundilhos da Gilda, esticado, esticado...


Fiquem em paz, sigam em frente e sejam felizes. É tudo o que eu mais quero desta vida.
Bjks

Bjks

13 de jun. de 2015

Carta para Roseane 13 de junho de 2015

Meu amor,

Hoje amanheci com uma saudade brutal, como naqueles tempos em que namorávamos por Messenger. Eu em Brasília e tu em São Paulo e depois em Macapá. Sinto falta da tua voz, do teu cheiro, e do teu silencio pleno de amor. E mais do que tudo sinto falta do teu olhar matreiro, vivo e sorridente. Me fazes falta.

Não, não estou reclamando....Estou bem, me cuidando. Não se preocupe. Estamos todos e todas nos cuidando e nos cuidando uns aos outros, dentro do possível. Sei o quanto estavas preocupada com todos e todas nós, antes de tua viagem. Fiques tranquila, entendemos que tu tinhas que ir, e que terias ficado mais conosco se pudesses. Mas era hora de seguir adiante.

Obrigado pelas mensagens e recados. Tenho recebido todos. Só que as vezes demoro para entender. Espero que compreendas. Depois de 8 anos na Batatolandia, ainda tenho dificuldades monstruosas em entender o Alemão, agora tu me vens com todos estes novos dialetos que vens experimentando, e fica difícil. Passarinhês é um pouco mais fácil, mas pedrês, aguês e especialmente o tal de florês são mais difíceis... O florês nem se fala, com todos suas variedades, rosês, margaridês e etc. Mas obrigado de qualquer maneira, acabo entendendo. E bom saber que tu estás cuidando de mim.

No entanto, venho sentindo necessidade de conversar contigo mais vezes e te dar notícias das nossas bandas. Talvez tu já estejas sabendo de tudo, mas deve ser difícil dar conta de estar em tantos lugares e com tanta gente ao mesmo tempo, e gostaria de poder manter esta linha de comunicação aberta.

Acho que por hoje é só, volto a escrever. Mas antes de terminar, quero te dizer duas coisas. Primeiro é que estou morrendo de ciúmes. Sei que estás realizando o sonho de te espalhares pelo mundo, e fico feliz por isto, mas me fazes uma falta doida. Segundo, é que tua “cumadi” está grávida e teu afilhado querido vai ter uma irmãzinha ou um irmãozinho em breve.

Vamos nos falando, meu amor. Beijos. Até o terceiro coral à esquerda,

Flavio



PS: Encontrei nossa primeira foto juntos, em 15 de outubro de 2000, em Belo Horizonte, no meio de tuas coisas, esquecestes de levar. Segue anexa a esta carta.

24 de mai. de 2015

Última carta para família, amigas e amigos



14 de mai. de 2015

Conversando sobre a morte, e celebrando a vida. #Ane_vive #RO_lives


Uma semana antes de falecer, Ane enviou uma mensagem para a familia convidando a todos e todas a discutir o tema da morte e, em especial, a se preparar juntos/as para viver o dia da morte,


"Gente vamos compartilhando as coisas por aqui, assim não ficaremos tão distantes. 

Estou gostando muito dessa terapia paliativa em casa. Estamos aproveitando tudo o que temos direito, e com qualidade e vida digna que todo mundo deveria ter. 

Eu criei o grupo para falarmos de um assunto , difícil, mas que depende da forma que tratamos, pode ser suave, e mais aceitável, que é a morte.

Se vocês morassem aqui, falaríamos todos juntos e com apoio da equipe que cuida de mim.
Hoje o médico nos perguntou como eu queria minha cerimônia de despedida não estando mais viva.
Falei tudo pra ele, e ele nos aconselhou a compartilhar com vocês, e assim atender meus últimos desejos.

Pode ser difícil para vocês, mas imaginem para os nossos pais?
Então  preciso do apoio de vocês para irem conversando com eles sobre isso.
Eu nunca gostei de ver morto, ver gente em caixão e ir para cemitério.


Por isso, quero ser cremada. Acho que o serviço de cremação aqui é mais fácil e tranquilo do que Macapá.

A equipe médica, e nossos amigos e amigas aqui podem nos ajudar sobre isso.


Então, eu quero ser cremada aqui, e que minhas cinzas sejam espalhadas ao vento , do alto da fortaleza de São José de Macapá.


O médico falou que podemos fazer algo menos triste, uma homenagem.
Todos poderiam comunicar a família e meus amigos e amigas para me homenagear.
Aqui, eles tocam música, recitam poesia, bebem, comem e riem bastante. Chora se muito pouco.
O médico disse que podemos ir organizando isso e não deixar para ultima hora.

Como eu tenho amigas pelo mundo afora, elas poderiam ser convidadas, e se quisessem ir para Macapá poderiam ir, mas tudo preciso ser organizado com muita antecedência , para elas se organizarem também.  Os filhos do Flávio também.

Bem cansei de digitar, o que vocês acham? Posso contar com o apoio de vocês?"

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A cerimonia de celebração vai ter lugar no dia 16 de maio de 2015, no Trapiche Eliezer Levy, a partir das 15 horas, sobre o Rio Amazonas, que Roseane tanto amava. Ela se juntara a suas aguas e viajara por todas as partes e nos visitara a todos e todas como queria.