Há tempos que ando pensando sobre o nosso julgamento sobre comida e muitas por discrimnação não comemos ou jejuamos.
É nesse contexto que quero refletir aqui sobre a
diversidade alimentar x preconceito alimentar.
Sobre diversidade alimentar, me refiro sobre a forma de comer. O que se come e como se come em diferentes culturas e povos.
Compartilhando minhas reflexões a partir da prática e começo por um fato recente.
No fim de semana passado, por conta das eleições no Brasil, Flavio e eu passamos o final de semana na
cidade grande.
Juntamos a fome com a vontade comer, ou seja, cumprimos nossa
agradável obrigação de
votar e ainda aproveitamos para passear e conhecer um pouco de
Frankfurt.

Lá, fomos em um
restaurante Etíope. Pedimos um prato que combinava pequenas porções de diferentes pratos típicos. Diferentes carnes, diferentes preparos e diferentes saladas. Tudo delicioso.
Flavio tomou uma
cerveja nigeriana, que para nossa surpresa, foi servida na cuia. E eu tomei uma taça de
vinho de mel.
Esse prato que pedimos era acompanhado de
panquecas. A forma como se come, é que é diferente de como nós, brasileir@s e/ou de outras culturas comemos.
Esse prato deve ser
comido com as mãos. Vou tentar explicar.
Pega-se uma panqueca, rasga-se um pedaço e com este pedaço pega-se um pouquinho de alguma das porções, como se fosse o recheio.
Um pequeno grupo que estava na mesa ao lado, pediu o mesmo prato, mas comeram com garfo e faca. Talvez porque no julgamento deles, não era adequado comer com as mãos.
Vale ressaltar que
nós lavamos as mãos antes de nos deleitarmos no que para nós, era "
exótico".
Outro episódio que me chamou atenção sobre essa temática (
diversidade alimentar x preconceitos), aconteceu em uma das minhas viagens de trem.
Eu peguei um trem em Stuttgart voltando para Heidelberg. O trem estava lotado, além de ser uma sexta-feira, as pessoas ainda estavam em ritmo de férias de verão, e o destino final do trem era Berlim.
Sentei ao lado de uma mulher, aparentemente entre 35 a 45 anos. Desconfio que era alemã. Nós trocamos pouquíssmima palavras em alemão, e como aqui tem muito estrangeir@s, não dá para saber se era nativa.
No meio da viagem, esta mulher abre um mochila e tira
duas marmitinhas. Ela abriu uma que tinha um sanduiche. Quando terminou, abriu outra marmita, que parecia conter uma sobremesa. Eu estava lendo uma revista, mas percebi tudo pelo
rabo do olho.
De repente,
entrei em estado de choque. A mulher,
sem nenhum pudor, começou a
lamber a tampa do pote, e bem antes de comer a sobremesa.
No meu julgamento, eu achei isso nojento e a mulher mal educada. Mas será que isso não é parte da cultura dela?
E por fim quero relatar outro caso que aconteceu comigo. Quando fui para o
Vietnam, em 2008, quase jejuei. Passei os três primeiros dias, só comendo frutas, verduras, arroz ou macarrão. É que eu descobri que
cachorro era um prato bem típico e eu fiquei com medo de comer carne, pois temia ser de ser cachorro.

Reconheço que foi puro preconceito meu, já que, nem sou vegetariana e tão pouco gosto de cachorro. Além disso, cachorro, assim como vaca, galinha, porco, e etc, deve ter alto teor de proteína, então pode até ser bom nutricionalmente, mas mesmo assim dispensei.
Na tentativa de liberar meus preconceitos alimentares, tomei milk shake de feijão preto com tapioca. E gostei!
Reflexão:

É assim mesmo, nós seres humanos, digo eu, por mais que tentamos ter a mente aberta e livre de preconceitos, muitas vezes julgamos e discriminamos certas comidas e /ou comportamentos que fogem ao nosso padrão. Só não podemos deixar que esse comportamento nos prive do contato social com diferentes culturas ou julga-las inferior.
Ninguém é obrigado a comer algo que não lhe apetece, mas devemos aprender a conviver com o que é diferente ou fora do "nosso" padrão, porque para a outra pessoa, nós é que somos diferentes.