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16 de fev. de 2015

Carnaval no Hospital da Criança e do Adolescente em Macapá

Mais uma vez relembrando bons momentos de trabalho no Hospital em Macapá.

Era carnaval, talvez 1996 ou 1997, enfeitamos os corredores do hospital com serpentinas e balões, colocamos músicas de carnaval, teve até palhaço.

Não só pacientes se divertiram, como as mães, os pais, funcionárias e euzinha, claro.

10 de jan. de 2015

Educação Nutricional no Hospital

Tirando do baú, encontrei essas fotos do tempo em que trabalhei no Hospital da Criança e do Adolescente em Macapá.
Acho que foi em 1998, nesta época o hospital era pequeno, talvez tivesse em torno de 70 leitos, não lembro ao certo.

O Hospital fornecia 6 refeições por dia, e como era terceirizado, uma nutricionista fazia a supervisão do preparo das refeições. Nós éramos duas nutricionistas e fazíamos o acompanhamento nutricional de pacientes internados nos hospital.

Nesta época, havia uma equipe multi e interdisciplinar muito boa. Com apoio da psicologia, terapia ocupacional, enfermagem, fisioterapia e as medicas(os), conseguíamos fazer algumas atividades de educação nutricional.

Uma das atividades foi conversar sobre alimentação saudável usando grupos de alimentos, alimentos de verdade.


A conversa era interativa, crianças, adolescentes e acompanhantes participavam do delicioso bate papo.


Eu gostava muito desse trabalho, lembro de ter feito conversas sobre amamentação, a alimentação servida no hospital, como deveria ser refeitório para acompanhantes, entre outras.

Foi uma atividade muito enriquecedora também, aprendia com pacientes e acompanhantes a falar a língua delas e assim repassar meus conhecimentos de uma forma simples e lúdica e assim contribuir para escolhas alimentares saudáveis.

5 de jun. de 2012

Eu tive uma tekinha!

Estou montando um álbum de fotos dos momentos de trabalho, mas não tem sido fácil, por três motivos:
1º- se eu estava trabalhando, não podia fotografar;
2º - quem é fotógrafa pouco é fotografada. Mesma as amadoras, como eu;
3º - se alguém me fotografou, esqueceu de me enviar :(

Conversando com uma amiga sobre esse assunto, fotografar e ser fotografada, lembrei que minha 1ª câmera fotográfica foi uma tekinha, e eu tinha 11 anos de idade.
Então eu acho que desde criança eu gostava de fotografar. Até tive outras câmeras depois da tekinha, mas não me aperfeiçoei.
Atualmente, faço fotos com o celular e com minha câmera digital, que por sinal já tem mais de 5 anos. Talvez seja hora de trocar de câmera!

8 de mai. de 2012

Menopausa, que maravilha!

Por causa do câncer e da retirada dos ovários a menopausa chegou precocemente na minha vida.
E se alguém pensa que eu achei isso ruim, está totalmente enganada. Eu adorei isso :)

Foram 29 anos, menstruando 8 dias seguidos 1x por mês. 8 dias é muito não é mesmo?
Mas, todas a médicas&médicos que eu ia, diziam que 8 dias era normal, especialmente porque meu ciclo menstrual era bem regular.
Nunca senti cólica menstrual (que sorte!), mas tinha dores terríveis na coluna e na perna esquerda :(
Dos 8,  eu tinha 2 a 3 dias de fluxo intenso. E era tanto, que algumas vezes passei até vergonha publicamente. Pense numa tensão...
Menstruar, então sempre foi algo muito ruim.

Lembro que eu ainda brincava de boneca, corria pela rua, e odiava a idéia de deixar de ser criança e me comportar como uma mocinha.
Além da sensação de perda da liberdade, ainda tinhas as proibições e tabus ligados a menstruação.
Não devia se fazer isso, aquilo..., alguns alimentos deveriam ser evitados, porque provocaria odores, eu ainda deveria esconder de todos, principalmente dos homens, que estava menstruada.

Quando olho para trás e lembro de tantas coisas..., isso me parece inacreditável, mas acontecia e em pleno final de século XX.
Acho que dá para entender porque, a menstruação era tudo de ruim pra mim.
É por essas e outras razões que eu estou adorando a menopausa.
Tem aquele famoso calorão, que vem sabe lá da onde, mas eu suaviso com medicamentos naturais.
Só o fato de não menstruar mais por 8 dias, isso não tem preço.

Menopausa, sua linda, você é maravilhosa e muito feminina!

22 de dez. de 2011

Personalidades & Palavreados

Da sessão ¨vale a pena ler de novo¨

04/09/2005
Quando eu era criança, minha mãe dizia que eu não podia assoviar depois das 18 horas, pois se fizesse isso a Matinta Pereira (mulher que vive na mata) ia aparecer e eu não ia dormir de noite.

Eu não fazia isso de jeito nenhum, pois tinha pavor da Matinta Pereira.
Eu também tinha medo do porrudo (grande) Bola Sete (homem gigante, não era do bem). Ele morava em um galpão na rua de casa. Sempre que eu aprontava alguma, minha mãe ou meus irmãos e irmãs mais velhos ameaçavam-me, dizendo que iam chamar o Bola Sete.
Esses personagens, assim como Papai Noel (esse não precisa), fizeram parte do imaginário da minha família durante muito anos. Como filha caçula de seis, fui a última a descobrir que eles não existiam.
Ah lembrei de outra personalidade, o Rubilota (homem, louco, corria atrás das pessoas a noite)esse existia de verdade e eu tinha muito medo!!!
Benedita Pelada (mulher com distúrbio mental) e o Camarão Frito (homem muito branco, ficava vermelho quando andava ao sol, e virava uma fera quando chamavam de camarão, falava um monte de palavrões)
Depois cresci, fiquei mocinha, esse imaginário popular foi sumindo da minha cabeça. Também eu não tinha mais miolos para pensar nisso, pois eu vivia numa cuíra (ansiedade) danada para arrumar um namoradinho. Tava igual aquela música “ela só quer, só pensa em namorar, ela só quer, só pensa em namorar”.
Nessa fase, os hormônios estavam aflorando, e eu tinha que me cuidar, para não ter inhaca (cantiga, cecê). Então já no raiá do dia(de manhã cedo) eu tomava meu banho e me enchia de catinga de mulata (planta cheirosa, já foi perfume). Ao tardar o dia, fazia a mesma coisa e ia para a praça.
Quando eu ia para a Zagury (Foi um homem famoso, virou nome de Praça), eu ia para bem pertinho do Rio e pedia para os caruanas(espiritos do bem que moram no Rio) espantarem a panema (sem sorte) que tava levando. E quando chegasse a piracema (fartura) de rapazes, pedia que não aparecesse um rapaz massaranduba (pessoa mal educada) para mim.
Agora mulher, quando vou em Macapá, fico louca para comer peixe frito, camarão e uma tigela de petróleo (açaí)Égua (expressão popular, com vários significados dependendo da entonação, aqui quer dizer boa) da comida porreta (boa, jóia)!!!
Na Fazendinha (nome de um Distrito em Macapá, lugar onde tem restaurantes de comidas tipicas, é também um balneário)quando como camarão no bafo (prato típico que se come com as mãos)nem me importo com o pitiú (odor forte do camarão, peixe, frango, outros) nas mãos...

10 de out. de 2010

Julgar, discriminar e jejuar?

Há tempos que ando pensando sobre o nosso julgamento sobre comida e muitas por discrimnação não comemos ou jejuamos.
É nesse contexto que quero refletir aqui sobre a diversidade alimentar x preconceito alimentar.
Sobre diversidade alimentar, me refiro sobre a forma de comer. O que se come e como se come em diferentes culturas e povos.
Compartilhando minhas reflexões a partir da prática e começo por um fato recente.

No fim de semana passado, por conta das eleições no Brasil, Flavio e eu passamos o final de semana na cidade grande.
Juntamos a fome com a vontade comer, ou seja, cumprimos nossa agradável obrigação de votar e ainda aproveitamos para passear e conhecer um pouco de Frankfurt.

Lá, fomos em um restaurante Etíope. Pedimos um prato que combinava pequenas porções de diferentes pratos típicos. Diferentes carnes, diferentes preparos e diferentes saladas. Tudo delicioso.
Flavio tomou uma cerveja nigeriana, que para nossa surpresa, foi servida na cuia. E eu tomei uma taça de vinho de mel.
Esse prato que pedimos era acompanhado de panquecas. A forma como se come, é que é diferente de como nós, brasileir@s e/ou de outras culturas comemos.

Esse prato deve ser comido com as mãos. Vou tentar explicar.
Pega-se uma panqueca, rasga-se um pedaço e com este pedaço pega-se um pouquinho de alguma das porções, como se fosse o recheio.
Um pequeno grupo que estava na mesa ao lado, pediu o mesmo prato, mas comeram com garfo e faca. Talvez porque no julgamento deles, não era adequado comer com as mãos.
Vale ressaltar que nós lavamos as mãos antes de nos deleitarmos no que para nós, era "exótico".

Outro episódio que me chamou atenção sobre essa temática (diversidade alimentar x preconceitos), aconteceu em uma das minhas viagens de trem.

Eu peguei um trem em Stuttgart voltando para Heidelberg. O trem estava lotado, além de ser uma sexta-feira, as pessoas ainda estavam em ritmo de férias de verão, e o destino final do trem era Berlim.
Sentei ao lado de uma mulher, aparentemente entre 35 a 45 anos. Desconfio que era alemã. Nós trocamos pouquíssmima palavras em alemão, e como aqui tem muito estrangeir@s, não dá para saber se era nativa.
No meio da viagem, esta mulher abre um mochila e tira duas marmitinhas. Ela abriu uma que tinha um sanduiche. Quando terminou, abriu outra marmita, que parecia conter uma sobremesa. Eu estava lendo uma revista, mas percebi tudo pelo rabo do olho.
De repente, entrei em estado de choque. A mulher, sem nenhum pudor, começou a lamber a tampa do pote, e bem antes de comer a sobremesa.
No meu julgamento, eu achei isso nojento e a mulher mal educada. Mas será que isso não é parte da cultura dela?

E por fim quero relatar outro caso que aconteceu comigo. Quando fui para o Vietnam, em 2008, quase jejuei. Passei os três primeiros dias, só comendo frutas, verduras, arroz ou macarrão. É que eu descobri que cachorro era um prato bem típico e eu fiquei com medo de comer carne, pois temia ser de ser cachorro.
Reconheço que foi puro preconceito meu, já que, nem sou vegetariana e tão pouco gosto de cachorro. Além disso, cachorro, assim como vaca, galinha, porco, e etc, deve ter alto teor de proteína, então pode até ser bom nutricionalmente, mas mesmo assim dispensei.

Na tentativa de liberar meus preconceitos alimentares, tomei milk shake de feijão preto com tapioca. E gostei!

Reflexão:
É assim mesmo, nós seres humanos, digo eu, por mais que tentamos ter a mente aberta e livre de preconceitos, muitas vezes julgamos e discriminamos certas comidas e /ou comportamentos que fogem ao nosso padrão. Só não podemos deixar que esse comportamento nos prive do contato social com diferentes culturas ou julga-las inferior.
Ninguém é obrigado a comer algo que não lhe apetece, mas devemos aprender a conviver com o que é diferente ou fora do "nosso" padrão, porque para a outra pessoa, nós é que somos diferentes.

24 de dez. de 2009

O natal quando eu era criança...

Véspera de natal, dia 24, era bem diferente para nossa família.
Meu pai tem uma loja, e naquela época, não haviam muitas lojas em Macapá e o papai tinha sempre muito trabalho nesse período. Toda a família, mamãe, irmãos e minha irmã iam ajudar o papai na loja. Só ficava em casa, eu e minha outra irmã, porque erámos pequenas. Meu pai só fechava a loja às 22 horas. E nós não tínhamos ceia, porque eles voltavam para casa super cansados.
Minha irmã e eu já estávamos dormindo nessa hora. Nós acreditávamos em papai noel. E sempre era assim, a gente tentava ficar acordadas para ver o papai noel colocar o presente debaixo da cama, só que nós nunca conseguíamos.
Quando nós acordávamos bem cedo, olhávamos logo debaixo da cama para ver os presentes.
E meu pais sempre faziam piada, dizendo que "vocês dormiram tanto que nem viram quando o papai noel deixou o presente".
Hoje em dia não é mais assim, meu pai fecha a loja mais cedo, pois não tem mais o movimento de antigamente, fazemos a ceia, quase nunca a meia noite e trocamos presentes. Também é muito legal.
Esse ano, meu natal é aqui, na fria Heidelberg. Está sendo uma experiência interessante!!!
A criança da foto sou eu, e a boneca era da minha irmã mais velha. Acho que eu tinha um ano e era do tamanho da boneca :)
Lembro da boneca grande "Amiguinha", que não era a mesma dessa da foto, era mais moderna, e eu ganhei quando tinha uns 5 ou 6 anos, foi o último presente que papai noel deixou debaixo da cama.
Feliz natal!!!

4 de ago. de 2009

Amamentação nas emergências

Em 2004, eu acompanhei Flavio em uma missão sobre violação do direito humano à alimentação, água e terra rural em Pernambuco. Nós visitamos vários lugares lá.
Nessa época eu trabalhava no Ministério da Saúde e fazia parte de um grupo denominado TERRA, que estava discutindo a elaboração de um plano de saúde para população do campo.

Foi no assentamento de Prado que conheci a mulher da foto acima. Eu estava entrevistando algumas famílias do assentamento sobre as práticas alimentares para incluir no meu trabalho com o Ministério da Saúde.

No fundo da foto, tem algumas plantas, são plantas medicinais e de uso coletivo da comunidade.
Eu estava conversando com uma das mulheres sobre as plantas, quando vi essa mãe amametando seu bebê. Eu fiquei bastante emocionada quando ela me falou: "eu não tenho nada, não tenho mais meu chão, minha casa, mas meu filho tem meu leite". Ela riu e disse alguma coisa que näo lembro mais, mas ela estava feliz de garantir a comida para o bebê.

O assentamento de Prado, tem uma longa história de luta e enfretamento pelo direito a terra. É um povo sofredor, mas muito batalhador.
Assim como tod@s do Assentamento, essa mãe estava morando em uma cabana de plástico, ela teve sua casa destruída pela polícia, ela passou fome, ela sofreu, mas ela continuou amamentando seu bebê, porque ela estava exercendo o direito à alimentação do bebê. Ela estava garantindo a segurança alimentar e nutricional naquele triste momento da vida dela e sofrendo diversas violações de direitos humanos.

Esse é o meu post para a blogagem coletiva sobre amamentação.

10 de abr. de 2009

Páscoa e lembranças da minha infância

"Os termos "Easter" e "Ostern" (em inglês e alemão, respectivamente) parecem não ter qualquer relação etimológica com o Pesach(páscoa). As hipóteses mais aceitas relacionam os termos com Eostremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o historiador inglês do século VII, Beda."Fonte: Wikipédia.

Aconteceu uma coisa aqui em casa que me fez viajar ao passado.
Fui criada na religião católica.
Quando eu era criança, na sexta-feira santa, a gente não podia fazer barulho. Não podia trabalhar, não podia brincar, não podia escutar música, não podia um montão de coisas, mas o melhor NÃO PODIA, era que não podíamos apanhar e nem levar esculhambação.

Então na sexta-feira santa, a gente podia aprontar um pouco, porque sabia que não teria castigo e nem peia.
Em uma família de 6 crianças e mais agregados, era bem difícil manter a tranquilidade da sexta-feira santa, pois sempre havia uma briguinha entre meus irmãos.

Meu pais, muito católicos, só cravavam aquele olhar daqueles de derrubar avião e diziam: "deixa está que amanhã vocês vão romper a aleluia é debaixo do cinturão".

O dia de romper aleluia era no sábado, dia permitido para se esbaldar, cair na folia, escutar música e também entrar na peia, no castigo, fazer os serviços domésticos, etc.
Acho que hoje em dia não tem mais isso.

Mas voltando ao assunto inicial, o que aconteceu aqui em que me fez lembrar da minha infância foi:
Meu enteado que voltou a morar conosco aqui na Alemanha, comeu na calada da noite 2 ovinhos que eu tinha comprado para dar de presente aos filhos de uma amiga.
Quando eu acordei hoje e não vi os ovos, não falei nada, não fiz nada, afinal é sexta-feira santa e logo lembrei da minha infância... ah seu eu pudesse dá uma peia nesse moleque no sábado da aleluia.
Peia eu não dou, mas que ele vai ouvir, isso vai.

Boa páscoa para vocês!!!

22 de nov. de 2008

Respeitável público...

Finalmente a estória do tomate saiu!!!Agora sobre o café... qualquer hora sai também.
E eu vou pedir a paciência de vocês, pois acho que vou passar dias e dias falando do tomate.

O tomate e a minha estória...
Todas as vezes que eu corto tomate para fazer salada eu lembro do dia que fiz salada na casa dos meus pais, em Macapá.
Na casa dos meus pais eu sempre tirei bons proveitos de ser a caçula ou a "queridinha" e quase não faço as tarefas domésticas.
Um dia fiz a minha simples e humilde salada de alface e tomate e coloquei na mesa.
Minha mãe, muito orgulhosa, logo falou para que todas as pessoas que estavam sentadas ficassem sabendo: a Ane fez a salada!!!
Ane, é meu apelido familiar desde que criança.

Eu tive que aguentar os risinhos e olhares irônicos da minha irmã e do meu irmão, como quem diz "só isso?!" ou "e daí? mais que obrigação" ou ainda, "será que foi ela mesmo que fez?"

Aí meu pai fala: mas o tomate tá com semente. Isso não faz mal para a saúde?

Eu fiquei muito surpresa com a pergunta e, confesso que naquele momento, achei bem absurda.E disse: Não pai, não faz mal não. Todo mundo pode comer, que não faz mal. Eu sempre comi e gosto. Só faz mal quando a pessoa tem alguma intolerância ou doença, por exemplo gota ou cálculo renal. Mas isso depende também do tipo de cálculo.
Então a minha palavra foi o aval para que todos comesse minha salada de alface e tomates com sementes.

Desde então, toda vez que corto o tomate para colocar na salada, lembro do meu pai e o medo, preconceito ou tabu alimentar que ele tinha em comer tomate com semente.
Aí eu fico me perguntando se existem outras pessoas que têm esse medo, tabu ou preconceito alimentar?
A partir de hoje eu falar bastante sobre o tomate, por favor tenham paciência.

21 de abr. de 2008

Momento vale a pena ler de novo

Quando eu era criança, minha mãe dizia que eu não podia assoviar depois das 18 horas, pois se fizesse isso a Matinta Pereira (mulher que vive na mata) ia aparecer e eu não ia dormir de noite.
Eu não fazia isso de jeito nenhum, pois tinha pavor da Matinta Pereira.

Eu também tinha medo do porrudo (grande) Bola Sete (homem gigante, não era do bem). Ele morava em um galpão na rua de casa. Sempre que eu aprontava alguma, minha mãe ou meus irmãos e irmãs mais velhos ameaçavam-me, dizendo que iam chamar o Bola Sete.

Esses personagens, assim como Papai Noel (esse não precisa explicar), fizeram parte do imaginário da minha família durante muito anos. Como filha caçula de seis, fui a última a descobrir que eles não existiam.

Ah lembrei de outra personalidade, o Rubilota (homem, louco, corria atrás das pessoas a noite), esse existia de verdade e eu tinha muito medo!!!

A Benedita Pelada (mulher com distúrbio mental) e o Camarão Frito (homem muito branco, ficava vermelho quando andava ao sol, e virava uma fera quando chamavam de camarão, gritava um monte de palavrões)

Depois cresci, fiquei mocinha, esse imaginário popular foi sumindo da minha cabeça. Também eu não tinha mais miolos para pensar nisso, pois eu vivia numa cuíra (ansiedade) danada para arrumar um namoradinho. Tava igual aquela música “ela só quer, só pensa em namorar, ela só quer, só pensa em namorar”.

Nessa fase, os hormônios estavam aflorando, e eu tinha que me cuidar, para não ter inhaca (cantiga, cecê). Então já no raiá do dia (de manhã cedo) eu tomava meu banho e me enchia de catinga de mulata (planta cheirosa, já foi perfume). Ao tardar o dia, fazia a mesma coisa e ia para a praça.

Quando eu ia para a Zagury (um homem famoso, virou nome de Praça), eu ia para bem pertinho do Rio e pedia para os caruanas (espiritos do bem que moram no Rio) espantarem a panema (sem sorte) que tava levando. E quando chegasse a piracema (fartura) de rapazes, pedia que não aparecesse um rapaz massaranduba (pessoa mal educada) para mim.

Agora, quando vou em Macapá, fico louca para comer peixe frito, camarão e uma tigela de petróleo (açaí). Égua (expressão popular, com vários significados dependendo da entonação, aqui quer dizer boa) da comida porreta (boa, jóia)!!!

Também gosto de ir na Fazendinha (nome de um Distrito em Macapá, lugar onde tem restaurantes de comidas tipicas, é também um balneário) comer camarão no bafo (prato típico que se come com as mãos) nem me importo com o pitiú (odor forte do camarão, peixe, frango, outros) nas mãos...

Essas expressões vieram na minha cabeça por meio do site www.correaneto.com.br quando estava pesquisando sobre o Fut- lama.

Publicado em 04.09.05 no meu primeiro blog.

16 de abr. de 2008

Tá precisando de um diarista?

Esse moço parece bom de serviço...


E ele ainda toma um pingado no copo, ui, ui, ui...

Essa foto me fez recordar um post que escrevi no dia 18.11.05, no meu antigo blog. Transcrevo aqui uma parte, apenas:

Rituais e comidas
Aprecio uma boa comida, principalmente quando é motivo de celebração. Desde o simples cafezinho oferecido quando visitamos uma pessoa em sua casa até um jantar sofisticado que homenageia uma pessoa.
Eu não sou muito fã de um cafezinho, não passo de 2 xícaras de café ao dia, uma de manhã cedo com leite e às vezes no final da tarde tomo uma pequena xícara de café puro.
Confesso que minha atração é mais forte pelo seu aroma quando acaba de ser ‘passado’, já imagino aquela fumaça de aroma agradável contagiando toda o ambiente.
A minha atração por esta bebida aumenta quando oferecida naquele copo de vidro transparente (aquele do pingado que tomamos em boteco), pra mim é impossível resistir a tal prazer de pegar aquele copo pela borda, a fumaça vai saindo e eu dou uma remexida no liquido preto fumegante, assim como quem requebra os quadris sensualmente.
Tomar cafezinho fresco na casa de alguém querido e naquele copo de boteco é um programa imperdível e pra mim um RITUAL, e olha que não sou fã de tal bebida!!!

24 de jan. de 2008

Águas passadas ainda movem lembranças


Quando eu fui para o Brasil no final do ano passado estava super ansiosa.
Meu vôo passaria por Portugal e lá eu deveria ficar pelos menos 1 hora até seguir para Brasília depois Belém e me destino final Macapá.

No aeroporto de Portugal achei meio estranho escutar aquele português tão diferente do nosso.
Mas lá, por ser no aeroporto, tinha um mix de línguas.

Quando desembarquei em Brasília, eu tive que fazer um novo check in para Macapá. Confesso que sair da sala de desembarque, ir até o balcão para fazer o novo check in, depois entrar na sala de embarque, também me soou meio estranho no início.

Eu entendia tudo o que falavam, tudo era muito familiar e eu além de tudo eu pude me comunicar perfeitamente sem mal entendidos. Escolhi até a poltrona que queria sentar.

Isso foi a melhor sensação dos últimos meses.
Poder me comunicar e entender tudo o que as pessoas falavam.
Não consigo nem explicar o que senti naquelas primeiras horas, mas foi maravilhoso.

Em Macapá não pude deixar de cometer alguns deslizes pela convivência em terras germânicas. Entre eles:
  • Jogar o papel higiênico no vaso sanitário.
  • Ficar esperando o sinal de trânsito para pedestre abrir, mesmo quando não tinha carro e todas as pessoas atravessando a rua e eu com cara de tonta.
  • Falar um pouco alto. Minhas amigas e a família notaram que eu estava falando mais alto.
Claro que em uma semana já estava totalmente re-adaptada.
Apesar do calor intenso, o suor que escorria pelo pescoço e barriga me dava uma sensação de está viva e eu estava muito feliz por isso.

25 de set. de 2007

Passe em Casa - Tribalistas

Eu adoro essa música, e essas meninas fizeram um vídeo bem legal e divertido.
Lembrei da minha adolescência...

2 de jun. de 2007

Meu novo meio de transporte


Quando comecei a trabalhar depois de formada (1995), a primeira coisa que comprei foi uma bicicleta.

Lembro bem do dia. Eu fui com uma amiga em uma loja de eletrodomésticos lá em Macapá. Ela fez um crediário e compramos no crediário dela duas bicicletas.

Na loja não tinha nehuma bicicleta montada e eles iriam entregar em até uma semana, mas a ansiedade era tanto que resolvemos ir no depósito da loja que ficava em um bairro bem longe buscar pessoalmente a bicicleta.

Chegamos lá por volta do meio dia. Eles disseram que ainda iam montar a bicicleta e que se a gente quisesse esperar...a gente comentou "já que estamos aqui vamos esperar."

Esperamos mais de três horas, e sem tostão no bolso, contamos nossas moedinhas e compramos um refrigerante para tomar.

Lá pelas 4 horas da tarde as bicicletas estavam prontas e a gente voltou pra pedalando e eu quase desmaindo de fome.

Sempre gostei de andar de bicicleta, quando comprei meu carro ela ficou de escanteio...depois resolvi vender.

Aqui em Heidelberg é comum as pessoas andarem para tudo quanto é canto de bicicleta. Tudo é sinalizado, com pista para ciclista e tudo mais.

Decidi comprar uma bicicleta. O verão tá aí batendo na porta...e como não estou fazendo nenhuma atividade física, achei que seria bom pra mim.

Primeiro fui em lojas de bicicletas novas. Encontrei várias, cada uma mais linda que a outra, do jeito que queria, mas...o preço não era do jeito que queria.

Então fui em loja de bicicletas usadas...mas não gostei de nada.

Aí meu marido disse que perto do trabalho tinha uma loja de bicicletas usadas bem legal...e lá fui na Madame Velo.

A Madame Velo tem um visual bem diferente, pena que não bati foto. Mas já fui gostando de cara do jeitão da loja. Parecia uma oficina mas com uma propaganda super engraçada. E tem até síte...

Encontrei uma semi nova do jeitinho como queria, não foi barata, mas não resistir e comprei.

Voltei pedalando pra casa, senti um pouco de medo, há muitos anos não pedalava, especialmente em um lugar novo, onde é preciso conhecer as regras do trânsito.

Já estava na metade do caminho e resolvi subir e andar pela calçada. Aqui pode andar pela calçada se a rua for muito estreita e passar o bonde. Mas é preciso que tenha sinal indicando isso.

Eu subir na calçada sem ver nenhuma placa, mas havia estacionamento de bicicletas...então pensei "acho que posso..."

Na minha frente tinha uma senhora carregando uma sacolas. Minha bicicleta tem uma busina, que por sinal adorei e de vez em quando dava businada para escutar o "trin trin"...

Quando vi a senhora na minha frente, diminuir a marcha, sim ela tem cinco marchas, chic não?

A senhora não andava numa reta...eu não sabia bem o que fazer, se ia pela direita (mas eu tinha certeza que não podia) ou ia pela esquerda. Mas eu precisava ultrapassa-la...resolvir fazer o "trin trin" para ela sair da minha frente... pra que????

A mulher deve ter me xingado até o diabo dizer chega... Ela gritou um monte e eu fui pedalando mais rápido que pude...ainda bem que não entendi nadica de nada...eh eh eh..

Mas quando ia saindo da calçada, o sinal estava fechado para mim e eu não podia seguir em frente...aí eu pensei "é agora que ela me pega..." nem olhava para trás...aí o sinal abriu e eu saí pedalando nem vi se ela tava atrás de mim.

Aí cheguei em casa toda suada, sã (?), salva e feliz.
"Sou eu que te levo pelos parques a correr,
Te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar.
Em cima de mim o mundo fica à sua mercê
Você roda em mim e o mundo embaixo de você.
Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar. " Toquinho